CURSO: Sistema de Cadeia de Produção de Material Reciclável – UBERABA - MG

REALIZAÇÃO: SEDESE – INSEA
10/11 A 10/12/2009

Ao receber o convite para ser a Instrutora de um curso para os catadores de material reciclável de Uberaba, não podia nem imaginar como seria gratificante, tanto para mim, como para os Catadores.
Antes mesmo do início do curso, recebemos o material didático a ser trabalhado, juntamente com as devidas orientações e material utilizado pelos alunos, como pasta, cartilha, caderno e canetas.
Por e-mail, como também por telefone, recebemos as orientações necessárias, sugestões e propostas metodológicas de trabalho, para que as dúvidas fossem esclarecidas na medida em que fossem surgindo.
O primeiro dia de curso foi dedicado exclusivamente às explicações e orientações aos catadores, quanto aos objetivos do curso e propostas de trabalho, como também o preenchimento correto da ficha de matrícula, para que fossem garantidos todos os benefícios que o curso oferecia aos mesmos.
Logo na primeira semana, já foi visível a motivação dos catadores e as expectativas deles para com o curso. A participação e a vontade de aprender e aumentar o conhecimento aumentava em cada “aula”. Outro ponto forte do curso foi o reconhecimento do papel do catador, de seu trabalho para a sociedade e para o Meio Ambiente.
Conseguimos a parceria e o apoio de funcionários da agência do INSS local, onde os catadores, já são conhecidos por recolherem o material reciclável dessa agência através da implementação do Projeto da Coleta Seletiva Solidária do governo federal no ano de 2008. Além desse importante apoio, foi nos concedido também o aluguel do local de realização do curso, gentilmente oferecido por alguns vereadores de nossa cidade.
O diretor do Procon esteve nos visitando e na oportunidade falou para os catadores da importância de desenvolver a cidadania, como consumidores que somos, reforçando que somente sabendo e conhecendo os direitos é que podemos exercer a cidadania de fato.
Na terceira semana de curso, recebemos a visita da coordenadora de direitos humanos da Secretaria de Projetos Especiais da Prefeitura, oportunidade em que os alunos fizeram uma apresentação da peça teatral criada e desenvolvida por eles, no decorrer do curso, num momento emocionante, pois foi a descoberta e revelação de artistas. Os catadores foram homenageados e aplaudidos de pé, pelos colegas e visitantes presentes.
E para fechar com chave de ouro nosso curso, os catadores foram convidados pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal a participar de uma plenária na Câmara, onde entregaram documentos com reivindicações para melhoria do trabalho deles na Cooperativa e apoio dos vereadores. Houve então a decisão por parte da Comissão e Presidente da Câmara que eles iriam viabilizar o vale-cidadão a cada catador da Cooperu.
Além das conquistas alcançadas por eles, foi muito gratificante ver de perto que os catadores, graças ao apoio do INSEA, conseguiram dar um passo à frente em suas realizações e, sobretudo, o curso criou a oportunidade de resgate a auto-estima e devolveu a eles a experiência maior de que somente através da união e vontade de vencer, que a cooperativa vai desenvolver e seguir seu caminho.
Enfim, fica a gratidão a Leda, Samira e Tatiana pela oportunidade de realização desse curso e o reconhecimento de tarefa cumprida por todos.

Cléia Gobbo – Educadora Ambiental e Instrutora – UBERABA - MG

















  Desde que era criança, eu me lembro de ver catadores nas ruas de Uberaba, que batiam de porta em porta, perguntando se havia garrafas, vidros para vender. Era uma cena comum: ver um catador, às vezes, com família inteira ou apenas com os filhos, em uma carroça. E o tempo foi passando e novos catadores foram chegando e agora perguntando se haviam jornais velhos, papelão ou latinhas e agora já não perguntavam se havia para vender e sim para doar. E, assim, os "tempos modernos" chegaram e, com eles, vieram também as novidades, os supérfluos. E o consumo? Foi só foi aumentando. E, consequentemente, aumentando o consumo aumenta também a produção de resíduos, que nem sempre é lixo.
  Temos histórias e histórias de catadores. Há pouco tempo, tivemos dois casos de catadoras, que se transformaram em modelo aqui no Brasil e outra Top Model, na Argentina.
Em 2006, coordenei um grupo de estagiários e realizamos um trabalho de cadastramento de catadores em nossa cidade. Foram 3 meses de trabalho, realizado durante o dia e à noite. Constatamos que há vários grupos de catadores que se revezam nesse trabalho. Assim, conhecemos as histórias de muitos catadores.
  Foi nessa época também que conheci, por meio de um livro, uma catadora que representa milhões de catadores de nosso país: Carolina Maria de Jesus. No seu livro Quarto de Despejo que é o diário de Carolina, uma catadora de papéis semi-analfabeta, negra, pobre e favelada. É, também, autora, personagem e narradora do livro. Ela representa a voz dos excluídos e marginalizados por questões sociais e étnicas. É um diário autobiográfico e um documento sobre a vida de uma favela. São reflexões sensíveis e críticas. Todo o texto é como se fosse um espelho através do qual a  autora olha a si mesma e, também, as pessoas que dividem com ela o seu espaço. É um diário diferente dos outros que são confidenciais. A autora procura denunciar as condições miseráveis de vida em uma favela.
   O diário registra fatos importantes da vida social e política do Brasil, iniciando-se em 1955 e terminando em janeiro de 1960. Mas, vou deixar para falar de Carolina em outro espaço.
   Em setembro de 2008, tivemos o privilégio de participar do 7º Festival Lixo e Cidadania, realizado em Belo Horizonte. O evento teve participação de vários catadores e representantes de Associações e Cooperativas do Brasil e de alguns convidados internacionais.
Na ocasião estiveram presentes, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Ministros,Deputados Federais, Estaduais, Prefeitos, Secretário Estadual do Meio Ambiente, Secretário Municipal do Meio Ambiente de Uberaba, entre outras autoridades. A partir desse encontro, Catador de Materais Recicláveis, passa a se tornar uma profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho, assim como o direito a aposentadoria dessa classe. Fatos marcantes e memoráveis para os catadores. Uma conquista a mais para a categoria.


Olá, Sejam bem vindos!

Hoje estou aqui para falar de um assunto que requer um pouquinho de boa vontade e de nossa atenção a cada dia.
Isso mesmo, com um pouquinho de atenção ao "lixo" que descartamos, podemos transformar a nossa vida e a vida de várias pessoas que dependem de uma simples ação nossa.
Muito se fala de Coleta Seletiva nos dias atuais e muito mais há que se fazer.
Pois bem, vamos iniciar trabalhando com alguns conceitos. Quando fala a palavra "lixo", tenho certeza de que você pensa naquilo que não lhe serve e que deve e pode ser descartado, certo?
Pois bem, se você pensou dessa forma, está na hora de mudar seus conceitos!
Primeiro porque aquilo que não lhe serve, não precisa necessariamente de ser descartado, podendo até mesmo ser reaproveitado, por você ou por outra pessoa e de alguma outra forma. Segundo porque, quando descartamos aquilo que não nos serve, nem sempre tem que ser descartado no lixo.
Para falar sobre esse assunto hoje, foi preciso muita observação, pesquisa e estudos. Foi preciso também conhecer um pouquinho sobre pessoas que fazem do nosso "lixo", seu trabalho como forma de melhoria de vida e aumento na renda familiar.
Foi preciso muito mais que quebrar paradigmas pré-estabelecidos, e transpor barreiras, foi preciso desfazer de preconceitos e tentar conhecer um mundo que eu conhecia pelas revistas e tv.
Não gosto de usar a palavra "lixo" porque penso que na verdade não existe "lixo". Como também pude perceber que não descartamos nosso lixo, apenas mudamos de lugar o nosso lixo.


Muito se fala e pouco se faz nessa área. Quando se trata de Educação Ambiental, tem pessoas que pensam que já sabem de tudo, ou se acham "doutoras" no assunto e que já não precisam mais de aprender nada.
Penso que a cada dia aprendemos um pouquinho. E temos muito a aprender ainda.
Hoje falamos mais e ouvimos mais essa expressão. O difícil nem é falar, mas sim, praticar. E a prática envolve mudanças: de hábitos, de costumes e de conceitos. Como nem sempre estamos dispostos a tais mudanças, as coisas começam a complicar a partir daí.
Em palestras, observo o comportamento das pessoas a cada frase por mim pronunciada. O aceno da cabeça concordando ou não com o que falo, ou aquele sorriso disfarçado ao demonstrar o reconhecimento de um erro, por menor que seja. Como é gratificante ser procurada no final para receber as opiniões, sugestões e agradecimentos. Quanto as críticas? Elas também são sempre bem vindas, nos faz crescer, nos fortalece e nos mostra o caminho certo.
Em certa ocasião, fui procurada por um casal de idosos que afirmava reconhecer que era difícil mudar de comportamento na idade avançada deles, mas que aprenderam a lição e que iram fazer o dever de casa direitinho:
reunir-se com a família no próximo domingo e, na hora do almoço, repassar o que aprenderam, na íntegra.
Há pessoas também que sabem que a garantia de um futuro melhor, está em nossas mãos, e que já não podemos mais ficar de braços cruzados, alienados ao que acontece a nossa volta.
Dentro da Educação Ambiental, podemos escolher vários temas a serem trabalhados. Vou tentar colocá-los de forma mais simples possível, para que todos tenham acesso.
Para que haja a consciência ambiental é preciso que as pessoas sejam envolvidas e sensibilizadas. Apresentarei também aos educadores e pais, algumas atividades simples de sensibilização. Espero que lhes sejam úteis no seu dia a dia. Sejam todos bem vindos!